Audiência Pública

TJGO promove primeira audiência pública do projeto Justiça que Escuta com foco em indígenas em contexto urbano

Encontro reuniu lideranças indígenas, magistrados e representantes de instituições públicas para discutir acesso à Justiça e políticas voltadas à população indígena que vive nas cidades

Texto: Epitácio Santos

Audiência Pública
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O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), em parceria com o Observatório dos Povos Indígenas de Goiás (OPIG), do Museu Antropológico (MA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), realizou, no dia 30 de setembro, a primeira audiência pública do projeto Justiça que Escuta. A iniciativa teve como foco a população indígena que vive em contexto urbano e buscou ampliar o diálogo entre o Poder Judiciário e as comunidades indígenas que residem fora de terras demarcadas. 

O encontro teve como objetivo aproximar o Judiciário das comunidades tradicionais e vulneráveis e discutir medidas para garantir atendimento intercultural e acesso à Justiça, considerando as especificidades e os desafios enfrentados pelos povos indígenas que vivem nos centros urbanos.

Representando o presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, o juiz auxiliar da Presidência, Reinaldo Dutra, destacou o compromisso do Poder Judiciário com a escuta e a proteção dos direitos da população indígena em Goiás. Para ele, o diálogo precisa resultar em ações concretas.

Reinaldo Dutra
Juiz auxiliar da Presidência, Reinaldo Dutra


“Somente a escuta direta das comunidades permite compreender a complexidade dos desafios enfrentados e construir respostas adequadas. Sabemos que a população indígena no Brasil nunca foi tratada com o respeito que ela merece e nós temos a obrigação institucional, legal e moral de fazer algo para corrigir injustiças que foram praticadas ao longo do tempo”, afirmou.

Manuel Lima Filho
Coordenador do OPIG, professor Manuel Lima Filho

 

A realização da audiência é resultado de tratativas entre a coordenação do OPIG/MA/UFG e a Presidência do TJGO. Segundo o coordenador do Observatório, Manuel Lima Filho, mais de 4 mil indígenas vivem atualmente em Goiânia. Ele chamou atenção para a necessidade de combater a invisibilidade social e estatística dessa população e defendeu a implementação de políticas públicas estruturadas nas áreas de saúde diferenciada, educação intercultural e proteção social.

Demandas da população indígena

Ao longo da audiência, lideranças e representantes de diferentes povos indígenas apresentaram demandas relacionadas às condições de vida nas cidades, com destaque para o acesso a serviços públicos, preservação da identidade e participação na formulação de políticas públicas.

Mauro Terena
Mauro Terena, representante da União dos Indígenas Residentes em Goiânia


Representante da União dos Indígenas Residentes em Goiânia, Mauro Terena apontou dificuldades enfrentadas pela população indígena no acesso a serviços essenciais, especialmente nas áreas de saúde e educação.

Samila Kaixana
Estudante de filosofia Samila Kaixana


A estudante de Filosofia Samila Kaixana destacou, por sua vez, que a mudança para os centros urbanos, seja por motivos de estudo, trabalho ou em decorrência de conflitos territoriais, não significa o rompimento com a identidade e a ancestralidade indígena. “Nossa ancestralidade não cabe em um CEP, nossa identidade não desaparece quando mudamos de endereço e os nossos direitos não podem terminar onde termina o território”, afirmou. Ela também defendeu a participação efetiva dos povos originários na elaboração das políticas públicas destinadas às comunidades indígenas.

Wilmar Guarani
Wilmar Guarani


Outra proposta apresentada durante o encontro foi a criação de um espaço permanente para acompanhamento das demandas. O advogado Wilmar Guarani sugeriu a formação de um fórum de debates e de grupos de trabalho que possam dar continuidade às discussões iniciadas na audiência e acompanhar os encaminhamentos definidos.

Hugo de Souza Silva
Com microfone na mão, coordenador adjunto de igualdade racial do TJGO, juiz Hugo de Souza Silva


Para o juiz Hugo de Souza Silva, coordenador adjunto da Coordenadoria de Igualdade Racial do TJGO, a audiência representa um marco de escuta qualificada e de articulação entre diferentes instituições. Ele destacou o compromisso de transformar as reivindicações apresentadas em encaminhamentos práticos.

Participação interinstitucional

A audiência reuniu magistrados, defensores públicos, gestores estaduais, docentes e representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Defensoria Pública da União (DPU).

Audiência Pública 2
Audiência Pública


Também participaram lideranças e representantes de diferentes povos indígenas, entre eles Terena, Kaixana, Guarani, Karajá, Kayapó do Sul, Taurepang, Bororo, Tupinambá, Pataxó e Kambeba.

Audiência Pública 3
Audiência Pública


A iniciativa pretende fortalecer o diálogo institucional com os povos indígenas e ampliar a compreensão do sistema de Justiça sobre as demandas específicas das comunidades que vivem em áreas urbanas. A proposta é que a escuta realizada durante a audiência contribua para a construção de encaminhamentos e ações que considerem a diversidade cultural e as particularidades da população indígena em Goiás.

Fonte: Observatório dos Povos Indígenas de Goiás

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